Barão de Guaicuí: as belezas escondidas desse vilarejo

Cachoeira do Barão

Em Minas Gerais, o que não falta é lugar bonito pra gente conhecer! O estado cheio de belezas atrai principalmente por suas montanhas e cachoeiras. Muito além das cidades famosas, existem incontáveis cantinhos escondidos, guardando muitos segredos. Esse é o caso de Barão de Guaicuí, um vilarejo que é, sem dúvida, uma das tantas riquezas do interior mineiro!

Não sei exatamente quando foi a primeira vez que estive lá, afinal, eu ainda era pequena quando passava férias com meus pais, tios e primos nesse lugar. Aliás, mesmo agora, depois de muitos anos, continuamos tendo Barão de Guaicuí como um ponto de encontro. No entanto, quem coleciona lembranças de infância dessa vez é o Gilberto!

Quem foi o Barão de Guaicuí?

O Barão de Guaicuí foi Josephino Vieira Machado, que nasceu em Minas Gerais (não há informações precisas sobre a cidade), e faleceu em Diamantina. Filho de Agostinho José Vieira Machado e Germana Leite Ferreira, que se casaram por volta de 1808, em Serro Frio. Foi empreendedor de várias empresas importantes, dentre elas, a da Navegação do Rio das Velhas.

Era Coronel da Guarda Nacional. Recebeu o título de Barão de Guaicuí (Decreto 19/07/1879), já que este era o antigo nome do Rio das Velhas, em Minas. Sua esposa faleceu antes da concessão do título. Assim sendo, não houve Baronesa de Guaicuí.

Bem Vindos a Barão de Guaicuí!

Casinha do vilarejo de Barão de Guaicuí, em Minas Gerais
Casinha do vilarejo | Foto: Mallê
Casas entre bananeiras
Mulheres entre laranjeiras
Pomar Amor Cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

Carlos Drummond de Andrade

Embora o ar bucólico de Barão de Guaicuí faça lembrar as palavras de Drummond, não se trata de um lugar qualquer. E a vida aqui, de boba nada tem! O que me encanta acima de tudo é a simplicidade do lugar, que talvez nem se dê conta de tamanha riqueza que carrega em seus montes, suas águas, com sua gente.

Barão é aquele lugar que surge do nada! De repente, depois de mais uma curva de poeira, você está no vilarejo. Algumas casinhas pequenas, trilhas de grama, animais pastando, meninos jogando bola num campinho improvisado…

Gilberto jogando futebol com outras crianças em um campo de futebol improvisado em Barão de Guaicuí.
Gilberto jogando futebol com as crianças em Barão de Guaicuí | Foto: Mallê

Distante 14 km do centro da cidade de Gouveia/MG, e a 258 km de Belo Horizonte, Barão de Guaicuí prosperou com a chegada do trem. A instalação dessa linha fez com que muitas pessoas depositassem confiança no desenvolvimento, abrindo inclusive comércios. A estação passou por reformas, mas ficou nisso!

Hoje, não restam mais do que algumas poucas casas. Contudo, já surgem novas construções aqui e ali, de gente que começa a vislumbrar oportunidades com o turismo.

Casinhas do vilarejo de Barão de Guaicuí.
Vilarejo de Barão de Guaicuí | Foto: Mallê

Estação Ferroviária

A edificação ainda existe no local e foi alvo de tombamento do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Gouveia. Todavia, o belo prédio da Estação continua em pé meio a trancos e barrancos, com cupins, goteiras e rachaduras.

Prédio da antiga estação ferroviária do vilarejo de Barão de Guaicuí.
Antiga estação ferroviária de Barão de Guaicuí | Foto: Thiago Kling

Em minha primeira visita, ainda na infância, funcionava uma escola municipal no prédio. Mas agora o local não está sendo utilizado. Segundo informações, os moradores ainda aguardam recursos para sua restauração, com o propósito de transformar a Estação em um Centro de Apoio ao Caminhante e também Centro Cultural, aproveitando tanto da beleza ímpar do lugar quanto do fato de estar no roteiro da Estrada Real.

No Centro de Informação ao Turista na cidade de Diamantina, nos disseram que a restauração já havia ocorrido. Mas quem passar por Barão de Guaicuí não verá nada além de uma nova pintura do lado de fora.

Serra do Leão

Serra do Leão
Serra do Leão: você consegue identificar o formato? | Foto: Mallê

De todos os lugares se tem a visão da Serra do Leão, uma formação rochosa que lembra a forma do felino deitado. As pedras gigantes estão por toda parte, formando caminhos estreitos e trilhas perfeitas para pedalar. 

A paisagem está repleta de linhas sinuosas, num horizonte de tirar o fôlego!

Capela de São Sebastião

Aqui não poderia faltar a centenária igrejinha, típica dos destinos de Minas Gerais. Datada de 1836, a Capela de São Sebastião fica na entrada do povoado, em um ponto mais elevado.

Fachada frontal da Capela de São Sebastião, em Barão de Guaicuí, Minas Gerais.
Capela de São Sebastião, no vilarejo de Barão de Guaicuí | Foto: Thiago Kling

Suas características arquitetônicas originais foram alteradas, entretanto, o altar-mór foi mantido. São importantes também as imaginárias (que ficam guardadas na sacristia).

Interior da Capela de São Sebastião
Interior da Capela de São Sebastião | Foto: Thiago Kling

Apesar do orago da capela ser São Sebastião, sua padroeira é Nossa Senhora da Conceição, e todo ano acontece uma celebração na comunidade, em meados de dezembro.

O interior da igrejinha pode ser visitado durante todo o ano. Há celebrações semanais, aos domingos de manhã, ou em datas festivas da igreja. Mas, caso você esteja por lá em outro momento e queira vê-la por dentro, pode pedir informações na vila sobre onde encontrar a pessoa responsável.

Cachoeira do Barão

O melhor de Barão de Guaicuí é, sem dúvida, a possibilidade de tomar aquele banho revigorante de cachoeira! O destaque fica para a Cachoeira do Barão, a maior e de acesso mais fácil, por estar a apenas alguns minutinhos da antiga Estação Ferroviária.

Vista lateral da Cachoeira do Barão
Cachoeira do Barão | Foto: Mallê

O poço maior, logo abaixo da queda d’água, é mais profundo. Mas logo à frente, existe uma parte sem correnteza, com uma prainha de pedriscos rasa, ótima para crianças menores!

Prainha rasa na Cachoeira do Barão, ideal para crianças.
Prainha de pedriscos na Cachoeira do Barão, ideal para crianças | Foto: Arquivo Pessoal

O difícil é fazer os pequenos saírem da água! Gilberto logo se fez entender: “É assim que tem que ser, mamãe! Casa da gente tem que ter um rio no fundo, onde criança pode entrar sozinha”. Nada no mundo vale mais que momentos como estes!

Gilberto tomando banho no rio
Como convencer a criança de sair? | Foto: Mallê

Como Chegar

Carro:
O acesso de carro é bem fácil. Fique atento ao trecho da BR-367, entre as cidades de Diamantina e Gouveia: existe uma placa sinalizando onde entrar. É uma estrada de chão que leva à vila. Além de ser o meio mais prático de chegar até lá, ainda tem a comodidade de parar algumas vezes para admirar o visual que é incrível! 

Paisagem nos arredores de Barão de Guaicuí
Bônus para quem vai de carro: poder parar para apreciar a paisagem | Foto: Mallê

Ônibus:
Se a intenção é chegar de ônibus, você pode verificar na rodoviária algum que vá para Gouveia – se estiver saindo de Diamantina – ou o contrário. A saber: não existe bus para o vilarejo! Qualquer uma das opções saindo das rodoviárias das cidades próximas, vai te deixar na BR, na entrada da estrada de terra. Dali pra frente, tem que ir andando (são cerca de 8km), ou você pode tentar uma carona (mas é um trecho pouco movimentado). Se vale como incentivo, a maior parte é descida. De qualquer forma, lembre-se que na volta é preciso voltar até a BR para tentar carona ou algum ônibus.

Bicicleta:
Inúmeros ciclistas passam muito bem equipados e dispostos, percorrendo o que chamam de “Turismo de Vilarejo”. Vão de um povoado ao outro pedalando. Entre um e outro, existem trechos de até 40km! Para os esportistas, é uma opção. Os informativos turísticos de Diamantina podem ajudar mais.

Ciclistas passando pelo vilarejo de Barão de Guaicuí, no chamado "Turismo de Vilarejos"
Ciclistas fazendo travessia no “Turismo de Vilarejo” | Foto: Mallê

Hospedagem

Para os mais aventureiros:
É possível montar barraca em vários lugares para dormir. Próximo à antiga Estação Ferroviária ou à Cachoeira. Algumas ressalvas: alguns moradores de Barão de Guaicuí possuem cavalos que ficam soltos, então, ao colocar sua barraca em algum gramado, pode ser que você ganhe a companhia de alguns carrapatinhos, dependendo da época! Se optar por ficar perto da cachoeira, além da questão dos animais, saiba que de madrugada faz um frio danado!

Criações soltas na vila
As criações dos moradores da vila ficam soltas | Foto: Mallê

Dentro da vila:
Dentro do vilarejo existem duas pousadas, quase que uma de frente pra outra. São bem simples.

Fora da Vila:
Se quiser mais conforto e opções, pode ficar nas cidades próximas, sendo Diamantina a que tem mais suporte ao turista e outras atrações que podem ser visitadas também. Clique aqui para ver hospedagens em Diamantina!

Alimentação

As duas pousadas (do Osvaldo e da Nice) têm restaurante. Caso você opte por acampar, leve fogareiro, todos os aparatos, e os alimentos que precisar.

Comunicação

Recentemente, o vilarejo passou a contar com sinal de celular nas proximidades da velha estação abandonada. A única operadora de telefonia que pega é a Vivo, mas dá inclusive pra acessar internet!

Emergências

O vilarejo não tem mercearias ou estabelecimentos de saúde. Então, esteja preparado. Leve comida e fogareiro para cozinhar, ou vá ao restaurante das pousadas. Tenha sempre um kit de primeiros socorros, com tudo o que possa precisar. Principalmente se estiver com crianças.

Respeito

Você está de passagem, mas existe um cotidiano de todos os que vivem ali. Respeite as pessoas e os costumes locais. Seja gentil também com a fauna e flora!

Espécie de sapo na Cachoeira do Barão
Sapo na Cachoeira do Barão | Foto: Mallê
Camaleão
É comum ver camaleões caminhando pelo vilarejo | Foto: Mallê

Não deixe lixo, e se possível, recolha algum que por ventura você possa encontrar. Não retire plantas nem animais de seu habitat natural. Também não insira nenhuma espécie que não seja do lugar. A natureza agradece.

Placas de conscientização ambiental no vilarejo.
Placas de conscientização ambiental por toda a vila | Foto: Thiago Kling

Isso deve ser um hábito nosso, mas não custa nada lembrar!

Outras atividades por perto

A região em que o povoado de Barão de Guaicuí está é cheia de atrações para todos os gostos: tem patrimônio da UNESCO, passeios históricos, gruta, vários parques, e até banho em águas termais!

Vale muito a pena explorar novos lugares de Minas Gerais, além dos circuitos turísticos tradicionais!

Você conhece mais algum cantinho secreto em Minas? Conta pra gente!