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Vista da cidade de João Monlevade/MG a partir da Serra do Seara.

A cidade de João Monlevade fica em Minas Gerais, a 117 km de Belo Horizonte. Lá, está localizada a Serra do Seara. Embora ainda seja pouco conhecida, chega a 1350 metros de altitude e tem grande potencial para a prática de esportes como vôos de paraglider, rapel, entre outros. Em 2017, estive na cidade com o propósito de conhecer as belezas deste lugar mais de perto.

Cheguei um dia antes, no trem da Vale. Na manhã seguinte, saí bem cedo, pois precisava estar às 7 horas na Praça Domingos Silvério, no centro de Monlevade.  Lá, encontrei Carlos, com quem eu já havia entrado em contato anteriormente, ainda em Belo Horizonte.

Grupo Mato Adentro

Carlos Antônio é fundador do Mato Adentro, um grupo que promove passeios ecológicos todos os domingos de manhã. Os destinos variam, percorrendo toda a região do Médio Piracicaba. Estes passeios são trilhas, com o intuito de promover interação entre pessoas e a natureza, e a conscientização acerca da necessidade de preservar estes biomas. Não existe qualquer custo para participar dos passeios. Eventualmente, nos casos em que é preciso um deslocamento mais longo para chegar ao local, há um rateio da gasolina, que aliás, é mais que justo!

Cheguei ao ponto de encontro com alguns minutinhos de atraso, mas ele ainda estava a espera (ufa!). Lá estava também a Cida, que já havia participado outras vezes destas programações com o grupo.

Na Serra do Seara

Enfim, seguimos! Fomos de carro até o pé da Serra do Seara. À medida que nos aproximávamos, já era possível admirar a exuberância das montanhas que emolduram Monlevade. Estacionamos na última rua antes da serra, pois dali seguiríamos a pé.

Na primeira parte, caminhamos por uma trilha em meio ao capim alto, e  logo depois, fizemos uma “escalaminhada” (uma caminhada suada por uma parte bastante íngreme da montanha, onde se faz necessário o apoio com as mãos).

Início da trilha, pelo capim alto, aos pés da Serra do Seara.
Início da trilha, pelo capim alto aos pés da Serra do Seara | Foto: Mallê

A primeira parada foi em uma pequena gruta, de onde já se tem uma vista parcial da cidade. Seguimos por mais alguns metros até nossa segunda parada: grandes rochas que, apesar de não serem o ponto mais alto da Serra do Seara, já nos proporcionam uma visão mais ampla de João Monlevade, sendo possível visualizar um pouquinho de municípios vizinhos, como por exemplo, São Gonçalo do Rio Abaixo.

Vista parcial da cidade de João Monlevade da Serra do Seara
Vista parcial de Monlevade, a partir da grutinha | Foto: Arquivo Pessoal

Fazia muito calor; entretanto, o sol ainda estava suportável, o que ajuda muito nesse trecho da caminhada, que além de ser íngreme e exigir esforço, não possui muitas árvores, apenas vegetação rasteira. Assim, não tem sombra e estamos diretamente expostos aos raios solares. Como saímos bem cedo, ainda eram 9 horas quando chegamos às pedras. No horizonte, ainda havia alguns pontos de serração.

Serração por entre as montanhas vistas da Serra do Seara.
Serração por entre as montanhas em João Monlevade | Foto: Mallê

A partir dali, há alguns trechos de muito cascalho com fendas devido à erosão. Não oferece riscos tão grandes, todavia, é bom ficar atento para evitar escorregões ou prender o pé, já que isso poderia ocasionar alguma torção ou lesão.

Trilha da Ligação

Existem várias direções que se pode seguir a partir dali: ou rumo ao pico do Seara, ou para as inúmeras trilhas. Não fomos até o cume. A convite do Carlos, seguimos a chamada Trilha da Ligação (nível leve a moderado). São cerca de 4,5 km dentro da mata fechada. As árvores altas protegem do sol, e a sensação de caminhar ali é maravilhosa!

Trilha da Ligação, na Serra do Seara, por entre mata fechada.
Trilha entre mata fechada | Foto: Mallê

Durante todo o percurso, é possível ouvir o canto dos pássaros, muitas cigarras, e escandalosos macacos. Há nascentes d’água de onde brotam do chão fios cristalinos , que ganham força em alguns trechos. Não vimos quedas d’água, mas ouvimos a correnteza em pontos inacessíveis da floresta. Só ficamos imaginando a beleza das águas em sua privacidade, lá no meio do mato.

Em uma dessas nascentes, paramos para fazer um lanche e beber água antes de seguir em frente.

Nascentes de água na Trilha da Ligação, Serra do Seara.
Nascentes de água em meio à Trilha da Ligação, na Serra do Seara | Foto: Mallê

Passamos por grandes pedras, flores diversas, enormes borboletas azuis, e outras brancas pequenininhas. Saímos na estrada e voltamos para a mata. Afundamos os pés em terra fofa, molhamos os sapatos atravessando riachinhos.

Já no final da trilha, há 1 km de chegarmos novamente à gruta (a trilha da Ligação é circular), uma subida daquelas! Não foi nada fácil, pois já havíamos caminhado bastante, chegava perto das 11h quando o sol está mais forte, e quanto mais subíamos, mais saíamos da sombra das árvores. Oh, pedacinho penoso!

Lá no alto, uma sensação deliciosa por ter visto tantas coisas lindas, ter vencido minha falta total de condicionamento físico, pela energia da natureza, e por poder descansar um pouquinho antes de descer.

Descemos novamente pelo capim alto, onde tudo começou. Com bastante cuidado, pois a descida é escorregadia e sem muito apoio.

Dicas

Sapatos:
Escolha um calçado adequado para esse tipo de atividade: confortável (que não machuque ou aperte os pés), com traves no solado (proporciona maior segurança e firmeza ao andar em diferentes superfícies), e fechado (evita ferimentos ou acidentes com animais peçonhentos).

Roupas:
Use calça comprida para se proteger de galhos, espinhos e insetos. Escolha tecidos leves que permitam que o corpo respire, e minimize seu contato como suor.

Acessórios:
Utilize boné, chapéu, viseira, óculos escuros para se proteger do sol.

Proteja-se:
Lembre-se de passar protetor solar e repelente. Ter as vacinas em dia também é bastante importante.

Esteja preparado:
Antes de realizar qualquer trilha, atividade física ou esporte radical, tenha a certeza de que você está apto e tem condições de chegar ao final. Não acesse trilhas que você não conhece, informe-se e vá de preferência com alguém que conheça bem a região. Leve lanche e água suficientes.

Para mais informações sobre essa trilha ou outras da Serra do Seara e Médio Paranaíba, entre em contato com o Grupo Mato Adentro. Uma ótima opção pra quem quer explorar um pouco mais as redondezas de BH e desfrutar de atividades ao ar livre!

Se ficou alguma dúvida sobre este artigo, deixe sua pergunta nos comentários que rapidinho respondo!

Mineira do Vale do Jequitinhonha, é apaixonada por tradições populares. De alma nômade e pés inquietos, sonha poder conhecer o mundo todo e suas diversas manifestações culturais.

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