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Projeto Canário Livre

Graças à Expedição Pão de Queijo, estivemos em cidadezinhas totalmente fora da rota turística tradicional, e fomos surpreendidos muitas vezes. Uma dessas gratas surpresas foi o Projeto Canário Livre, que conhecemos na cidade de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha.

O Brasil é enorme: são mais de 5 mil cidades no país. Decerto, é impossível conhecer todas! Mas algumas se tornam ainda menos populares por não estarem na lista de desejo dos viajantes. E assim, muita coisa bonita fica escondida.

O Vale do Jequitinhonha é um ótimo exemplo disso: mesmo sendo rico em cultura popular, belezas naturais e artesanatos tradicionais, ainda não é tão explorado.

Foi numa das cidades do Vale que a gente se deparou com uma iniciativa linda de preservação ambiental, o Projeto Canário Livre.

Casinhas de Passarinho

Quem chega em Turmalina certamente nota a quantidade de passarinhos pelas ruas. Eles estão por toda parte! Com um pouquinho mais de atenção, a gente logo percebe que todas as pracinhas (ou qualquer pedaço de grama) tem uma casinha pra eles.

Projeto Canário Livre
Casinhas de passarinho do Projeto Canário Livre | Foto: Mallê

Feitas de madeira, pintadinhas de amarelo, têm escrito “Canário Livre”. Os moradores já estão acostumados, entretanto, nós ficamos bastante curiosos, e fomos atrás de informações.

Projeto Canário Livre

Desde o dia 09 de maio de 2010, Turmalina conta com o Projeto Canário Livre. Trata-se de um trabalho ambiental iniciado por um grupo de voluntários, que lançou mão de estratégias como palestras e concursos de redação nas escolas pra conscientizar a população sobre o impacto causado pelo aprisionamento das aves, mantidas em gaiolas e/ou comercializadas.

Uma cartilha com várias informações foi elaborada e distribuída. O material aborda temas como a alimentação e reprodução dos Canários-da-Terra.

Houveram reuniões com os criadores e evento para soltura deles, que hoje já se reproduzem em liberdade, no seu habitat natural.

Canário-da-Terra

Sicalis flaveola, esse é o nome científico do Canário-da-Terra; vem do grego e significa “amarelinho”. Se alimenta principalmente de sementes, com seu bico especializado em selecioná-las e esmagá-las. Às vezes, come também pequenos insetos. Frequenta comedouros com alpiste e canjiquinha de milho (assim sendo, as casinhas do projeto foram um sucesso).

Canário-da-Terra se alimentando em um dos comedouros do Projeto
Canário-da-Terra em um dos comedouros do projeto | Foto: Mallê

Segundo o IBAMA, é uma das aves mais apreendidas, por causa de sua cor vibrante e canto forte. Vale lembrar que a apreensão de aves é crime ambiental federal inafiançável (Lei 9.605/98).

Opinião da População

O Projeto Canário Livre ganhou inúmeros adeptos em seus quase 9 anos de existência. A população abraçou a causa, e se responsabiliza por colocar comida e água para os bichinhos, nos comedouros próximos às residências ou comércio.

Os municípios vizinhos, a exemplo de Turmalina, têm se atentado. Algumas cidades já demonstram o desejo de fazer o mesmo. 

O projeto encanta pela sua simplicidade, e pela grandeza de seu significado. Vai contra a tendência destrutiva à qual temos nos acostumado. Infelizmente, ainda nos surpreende muito mais ver esses pássaros soltos do que em gaiolas.

Por onde se passa na cidade, o canto dos pássaros pode ser ouvido. Faz pensar… o que devia ser o normal precisa virar notícia, pra nos dar esperança.

Cidade Florida

Em 2012, surgiu a ideia de um subprojeto, chamado “Cidade Florida”. Orquídeas foram colocadas nas árvores das praças, em vasos feitos de barro (artesanato local muito conhecido). Além do canto dos pássaros, a beleza das flores alegra ainda mais!

Projeto Cidade Florida
“Cidade Florida”, um subprojeto do Canário Livre | Foto: Mallê
"Cidade Florida" é uma iniciativa do Projeto Canário Livre.
Projeto Cidade Florida | Foto: Mallê

Mais informações sobre o Projeto Canário Livre podem ser encontradas no blog deles. Apesar de desatualizado (último post de 2013), a iniciativa continua até hoje na cidade.

O que você achou das ideias?

Mineira do Vale do Jequitinhonha, é apaixonada por tradições populares. De alma nômade e pés inquietos, sonha poder conhecer o mundo todo e suas diversas manifestações culturais.

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