Pico do Pião: trilha até o segundo ponto mais alto do Parque Estadual do Ibitipoca

Placa no Pico do Pião indicando altitude

Além da famosa Janela do Céu e do Circuito das Águas, o Parque Estadual do Ibitipoca reserva um outro roteiro: uma trilha até o Pico do Pião, o segundo ponto mais alto da unidade de conservação. A 1720m de altitude, perde apenas para o Pico da Lombada, que por sua vez, tem 1784m de altitude.

Muita gente nos disse que lá de cima se tem uma vista simplesmente incrível do Parque e dos arredores da Vila. Isso nos deixou com ainda mais vontade de conhecer! Mas de qualquer forma, já estava nos planos, pois era o único dos três circuitos que ainda não tínhamos feito.

Estávamos com hóspedes em nossa casa, pelo Couchsurfing, e Thiago ganhou uma folga surpresa, exatamente para o dia em que nossas visitas iriam ao Pico do Pião, então marcamos de ir juntos. Não fosse por isso, acho que não teríamos ido, pois o dia amanheceu muito frio e bastante nublado!

Nota: Para esse Circuito, se possível, prefira um dia de tempo aberto, para apreciar a vista lá de cima!

Circuito Pico do Pião

Não chegamos ao Parque muito cedo. Por ser meio de semana, não havia a possibilidade de estar lotado, e da gente não conseguir entrar. Era por volta de 08:30h quando assinamos a lista e pagamos as entradas.

Dali, é preciso andar cerca de 2km para chegar ao inicio do Circuito do Pico do Pião. O primeiro quilômetro é da portaria até uma bifurcação, onde você deve seguir o caminho da direita, indo sentido ao restaurante (pela esquerda, começa a trilha para a Janela do Céu).

Placas indicando direção das atrações no Parque Estadual do Ibitipoca
Placas na bifurcação, indicando direção das atrações | Foto: Thiago Kling

Da bifurcação, é só seguir até o restaurante, e descer na trilha à direita, ao lado do relógio de sol. Por essa trilha, chegamos à Prainha (uma das atrações do Circuito das Águas). É só atravessar o rio pela passarela de madeira e seguir em frente, na estrada larga. Depois de alguns metros, as placas vão indicando a direção (tudo sempre bem sinalizado).

Trilha ao lado do relógio de sol
Trilha ao lado do relógio de sol (só faltou o sol!) | Foto: Thiago Kling
Passarela de madeira para atravessar o rio na Prainha.
Passarela de madeira para atravessar o rio na Prainha | Foto: Mallê
Placas sinalizando direção do Pico do Pião
Todo o percurso sempre muito bem sinalizado | Foto: Thiago Kling

É impressionante como essa parte do Parque é diferente das outras! Nos circuitos anteriores, percebemos que o tempo todo a gente caminhava nas pedras (lapas inteiras ou esfareladas, como cascalho). Já nessa trilha, o solo é de uma terra marrom, bastante argilosa. Isso também influencia nas plantas: enquanto grande parte do parque tem vegetação rasteira e muitos cactos, aqui existem muitas árvores altas, que em alguns pontos formam um túnel verde, por se encontrarem no topo. Tudo muito bonito!

Estrada larga por onde começa o Circuito do Pico do Pião
Estrada larga por onde iniciamos o Circuito do Pico do Pião | Foto: Mallê

Gruta do Monjolinho

A primeira atração no caminho é a Gruta do Monjolinho. O lugar não tem tanto aspecto de caverna. Apenas algumas pequenas entradas na rocha, mas não muito fundas.

Dessa forma, o destaque deste lugar fica mesmo para um pequeno lago, com areia bem branca e águas escuras, que fica num cantinho reservado e delicioso! Pra acessar, é só seguir andando junto à parede de pedra e então descer as escadas de madeira.

Poço de águas escuras ao lado do paredão de pedras na Gruta do Monjolinho
Poço de águas escuras na Gruta do Monjolinho | Foto: Mallê

Gruta do Pião

Em contraste com a gruta anterior, esta é grande! Tem vários salões e é bem extensa. Desse modo, é essencial ter uma lanterna (traga a sua, pois o parque não tem para emprestar)! Fique atento: apesar do teto alto, em alguns trechos ele é mais baixo, o que pode causar acidentes. Há também trechos com água, que passa pelas rochas. É provável que em épocas de chuva tenha ainda mais. Além disso, sem iluminação, só a entrada do primeiro salão pode ser vista: o restante é mesmo muito escuro!

Nota: Para fazer fotos, o flash é indispensável! No nosso caso, fizemos uma longa exposição com a câmera apoiada no chão, e usamos as lanternas de dois celulares para iluminar.

Interior da Gruta do Pião
Um dos salões da Gruta do Pião | Foto: Thiago Kling

Infelizmente, com a iluminação, conseguimos ver que algumas pessoas escreveram um muitas paredes da gruta, o que é lamentável!

Pico do Pião

Chegando ao final da trilha, existe mais uma placa em uma bifurcação. Indo para a direita, acessaríamos a Gruta dos Viajantes. Pela esquerda, o Pico do Pião. Tanto faz ir em um ou outro primeiro, já que, de qualquer forma, é necessário voltar à bifurcação.

Preferimos ir para a esquerda e fazer o pico primeiro, que era subida, e em segundo lugar a gruta, pra então só descer!

Nota: Apesar do Circuito do Pico do Pião ser mais curto que o Circuito Janela do Céu, achamos este mais cansativo, já que as subidas são muito mais íngremes!

Passando da placa tem uma subida, uma curva, uma reta, e… uma escada! Como subir tanto degrau depois de um percurso tão inclinado? Deu vontade de ficar ali, no entanto, já tínhamos chegado tão longe, e não teríamos muito mais pra caminhar depois. Em resumo: subimos!

Parecia mesmo que chegaríamos no céu, afinal, já estávamos completamente envolvidos pelas nuvens (aliás, era só o que a gente via!). Não nos restou muita coisa pra ver além da placa que mostrava a altitude e do altarzinho.

Neblina cobrindo toda a vista do Pico do Pião
Nossa “vista panorâmica” do Pico do Pião | Foto: Thiago Kling
Foto com nossos hóspedes do Couchsurfing no Pico do Pião
Com nossos hóspedes do Couchsurfing no Pico do Pião | Foto: Arquivo Pessoal

O altar foi o que restou de uma igreja que existia lá. Dizem que foi destruída pelo vento e por raios. Reza a lenda que seu sino nunca foi encontrado. Será? Seja como for, essas lendas enriquecem a experiência, e fazem a imaginação voar longe! Se bem que com a ventania que estava, certamente seria eu a voar logo, logo! Hora de descer.

Gruta dos Viajantes

Ficamos um pouquinho tristes por não termos conseguido a tão falada vista panorâmica do pico. Voltamos até a bifurcação, para seguir até a Gruta dos Viajantes, última atração da trilha.

Ficamos um pouco perdidos. Depois da placa não vimos nenhuma outra sinalização de onde acessar a gruta. Seguindo em frente, a estrada simplesmente desaparecia em um precipício! E não é que era lá que a gente tinha que ir?!

Aproximando da ponta, vimos o início do corrimão de madeira da escada. Começamos a descer, e mais parecia que chegaríamos ao centro da terra! A escadaria era maravilhosa e nunca mais acabava, aumentando ainda mais nossa expectativa.

Escadaria de madeira que dá acesso à Gruta dos Viajantes
Escada de madeira cercada de árvores, dá acesso à Gruta | Foto: Thiago Kling

Por fim, chegamos: a Gruta dos Viajantes. Se antes havíamos reclamado da névoa, agora estávamos agradecendo! Lá embaixo, rodeados de paredes de pedra muito altas e árvores enormes, os poucos vestígios de sol deixavam tudo com uma cor bonita. Cenário de filme!

Gruta dos Viajantes
Gruta dos Viajantes | Foto: Mallê

Atravessamos a gruta encantados! Estávamos dentro da montanha que antes trilhamos lá em cima. Depois de andar por alguns minutos, um pontinho de luz apareceu lá no final. A saída tinha pedras grandes, cobertas por musgo verdinho!

Voltamos um tanto felizes com tudo o que vimos, e até com o que não vimos. Afinal de contas, fizemos todos os três circuitos do Parque Estadual, mas fica a brecha pra voltarmos, já que ainda teremos o que descobrir em Ibitipoca!

E você, já fez o Circuito do Pico do Pião?