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Morar em Petrópolis

Desde que decidimos nos mudar de cidade a cada seis meses, Petrópolis foi o segundo lugar que chamamos de casa. Antes disso, moramos na vila turística de Conceição do Ibitipoca, no sul de Minas. Encerramos agora nosso período na Cidade Imperial, e nesse post, a gente conta como foi morar em Petrópolis.

A Mudança

Nos mudamos de Ibitipoca no dia 28 de junho de 2018, para morar em Petrópolis. Chegamos exatamente quando acontecia a Bauernfest (segunda maior festa do colono alemão no Brasil, atrás somente da Oktoberfest, no sul). Fomos ao evento por dois dias, e logo viajamos para participar do Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha. Só retornamos em agosto, quando enfim, paramos para organizar nossa vida.

Bauernfest: festa do colono alemão, tradicional em Petrópolis
Bauernfest: festa do colono alemão, tradicional em Petrópolis | Foto: Mallê

Nos mudamos de Ibitipoca no dia 28 de junho de 2018, para morar em Petrópolis. Chegamos exatamente quando acontecia a Bauernfest (segunda maior festa do colono alemão no Brasil, atrás somente da Oktoberfest, no sul). Fomos ao evento por dois dias, e logo viajamos para participar do Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha. Só retornamos em agosto, quando enfim, paramos para organizar nossa vida.

Agora sim: íamos de fato morar em Petrópolis! Os primeiros dias são os mais difíceis. Ainda que seja o momento de maior empolgação, não há uma rotina estabelecida, é preciso procurar tudo nas caixas, até dar conta de limpar e guardar no devido lugar. Tudo isso já é bem complicado por si só; agora imagine com uma criança em casa, que ainda não fez amigos, e não sabe onde estão seus brinquedos? É um ótimo momento para exercitar a paciência e não surtar!

Por que escolhemos Petrópolis?

Já estávamos acostumados com Minas Gerais: Gilberto e eu somos mineiros, Thiago morava no estado há um ano e até já falava “uai”. Além disso, estávamos viajando em família por MG com a Expedição Pão de Queijo. Então, por que ir para o Rio de Janeiro e morar em Petrópolis?

Foi em Ibitipoca que tomamos a decisão de mudar o nosso estilo de vida, e viver em cada cidade por apenas um semestre. Morar em Petrópolis foi uma ótima opção para esse recomeço, por vários motivos.

Sem dúvida, o que mais pesou na nossa decisão, foi o fato do Thiago ter uma casinha na cidade; foi do seu avô, do seu pai, e agora era dele. Para uma vida nômade, não poderíamos estar presos a um emprego fixo. Por consequência, precisávamos diminuir nossos gastos, uma vez que vivendo de bicos, não saberíamos com quanto poderíamos contar. Poder eliminar um custo mensal e tão alto como o aluguel foi muito importante!

FOTO CASINHA

Da mesma forma, nos ajudou bastante a distância que estávamos. Já que Ibitipoca não fica tão longe de Petrópolis, isso fez com que o preço do frete dos móveis não ficasse tão alto.

Como é morar em Petrópolis?

Vamos ao assunto então. Como é morar em Petrópolis? Ou melhor: como foi a nossa experiência na cidade!

Uma visão geral

Estando dentro da cidade, não é possível ter noção do seu tamanho, já que os bairros ficam em meio às montanhas, e isso dá a impressão de que o lugar é bem pequeno. No entanto, são quase 300 mil habitantes; uma quantidade considerável de pessoas, né?!

Petrópolis não apenas é uma cidade grande, como também um destino turístico, o que faz com que esteja sempre cheia. Recebe gente do mundo inteiro! Ainda assim, conserva sua tranquilidade, e é considerada a cidade mais segura do estado do Rio, e uma das mais seguras do país.

Gilberto e eu caminhando pelo centro de Petrópolis
Gilberto e eu caminhando pelo centro de Petrópolis | Foto: Thiago Kling

Durante todo o tempo que permanecemos na cidade, não tivemos qualquer problema com segurança. A saber: sempre saímos com a câmera nas mãos para fotografar, e vários turistas também o faziam. Gilberto também podia sair para brincar na rua, com a mesma tranquilidade de Ibitipoca, que tinha só 800 habitantes (salvo o trânsito, claro).

Gilberto jogando bola no Parque Natural Municipal de Petrópolis
Gilberto jogando bola no Parque Natural Municipal de Petrópolis | Foto: Mallê

Custo de vida em Petrópolis

Como eu disse, não precisamos alugar casa para morar em Petrópolis. Pelo que vimos, os aluguéis não são muito baratos. No entanto, vimos kitnet a partir de R$ 600 no bairro em que moramos (uma localização excelente, e não muito distante do centro).

Quanto aos outros custos, não vi tanta diferença entre Ibitipoca ou Belo Horizonte (cidades onde moramos nos dois semestres anteriores). Nós sempre gastamos com o básico, então, consideramos os valores tranquilos.

Alguns dos nossos custos:
– Conta de Energia: R$ 120,00 (média mensal)
– Passagem de ônibus: R$ 4,20
– Gás 13kg: R$ 78,00
– Caixa de ovos brancos (30 unidades): R$ 6,00
– Feijão carioca (1kg): R$ 1,89 (marca mais barata)
– Pão francês: R$ 0,60 (unidade)

É claro que dependendo daquilo que você deseja comprar, os custos podem ser bem maiores. É o caso do feijão, que citamos na lista acima: há marcas mais caras, mas não vimos necessidade de comprá-la, já que o mais barato tinha boa qualidade. Já no caso dos ovos, esse era o preço de mercados do centro; comprando no nosso bairro encontrávamos por R$ 10 o pente mais barato.

Trabalho

Esse é um aspecto bem complicado em Petrópolis. A cidade não tem muita indústria e vimos muita gente reclamar da falta de emprego. A Rua Tereza, famosa por abrigar muitas lojas de roupas, hoje tem várias portas fechadas.

Os aluguéis de pontos comerciais são impraticáveis, e isso faz com que vários empreendimentos fechem as portas prematuramente.

Há muita gente pelas ruas com trabalhos informais, vendendo artesanato ou doces. E a única área que está sempre em funcionamento é a do turismo.

Vantagens de morar em Petrópolis

Tenho muita coisa boa pra falar da cidade, então, vamos por partes!

Quanto ao Gilberto, além da segurança e tranquilidade que permitiram que ele tivesse muita liberdade pra brincar na rua e andar de bicicleta, vários fatores nos deixaram bem satisfeitos com a cidade. O colégio que ele estudou, mesmo sendo público, oferece aulas de música dentro da grade escolar. Vinculado a ele, existem diversas atividades extra-curriculares gratuitas, como por exemplo aulas de zumba, judô e capoeira.

Há muito o que fazer em Petrópolis. Museus e casarões históricos, eventos e programações culturais, muitas trilhas e cachoeiras. Aqui também está o Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

Nós na portaria do Parque Nacional Serra dos Órgãos em Petrópolis
Nossa visita ao Parque Nacional Serra dos Órgãos | Foto: Arquivo Pessoal

Alguns costumes deles são bem legais, como as comemorações do dia de Cosme e Damião e o Natal. Em ambas as datas, a população se reúne para dar doces e brinquedos às crianças. Achamos isso bem interessante.

O comercio é bem variado, e é possível encontrar de tudo na cidade. Principalmente roupas, já que há inúmeras confecções.

Não temos plano de saúde. Precisamos de atendimento médico por duas vezes (uma pra mim, por causa de intoxicação alimentar, e uma para o Gilberto, por causa de uma tosse). Fomos muito bem atendidos na UPA. Apesar de cheia, o atendimento foi rápido, e todos os funcionários muito atenciosos e educados. Não temos do que reclamar!

Desvantagens de morar em Petrópolis

Nem tudo são flores, né?

Fomos bastante prejudicados pelo clima. Pegamos o final do inverno, a primavera, e o início do verão. Fez muito frio durante todo o período, e choveu bastante, todos os meses. Ficamos limitados para fazer as trilhas e vários outros passeios.

O sol só apareceu nas duas últimas semanas em que moramos em Petrópolis, mas veio com as fortes chuvas de verão, que deixam boa parte da cidade alagada e em alerta pela defesa civil (há muitos deslizamentos de terra no fim de ano).

foto chuva

Para quem procura um trabalho fixo, o cenário não é muito animador, como descrevemos acima.

No fim das contas, valeu a pena?

Pra nós foi muito válido. Fiquei bem feliz com tudo o que a cidade ofereceu, principalmente para o aprendizado e crescimento do Gilberto. É um bom lugar pra se viver, e talvez, algum dia, a gente possa voltar.

O coração pede pra seguir e não firmar raízes, mas fica uma saudade boa. E no fim das contas, isso diz muito sobre um lugar!

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Mineira do Vale do Jequitinhonha, é apaixonada por tradições populares. De alma nômade e pés inquietos, sonha poder conhecer o mundo todo e suas diversas manifestações culturais.