Topo

Logo que chegamos em Belo Horizonte, fomos convidados por várias pessoas para conhecer o tão famoso Mercado Central. Não é preciso muito tempo para perceber que os belo-horizontinos têm uma relação de amor e respeito por esse lugar. Aliás, basta só uma voltinha por seus corredores para entender o porquê.

Planejando conhecer Belo Horizonte? Veja o que mais nos encantou em nossa primeira visita à cidade!

Desde o início de sua história, o Mercado Central foi marcado por acontecimentos de grande importância. Hoje, é um ícone da cidade, que se orgulha em tê-lo como um de seus mais importantes pontos turísticos.

Nele você encontra de tudo! Nesse sentido, a visita se torna uma viagem de mil sensações, entre cores, aromas e sabores inconfundíveis! Vem conhecer o Mercado com a gente?!

A História do Mercado Central

Assim como todo bom mineiro, o Mercado também é cheio de causos! Tudo começou quando o prefeito da época, Cristiano Machado, decidiu unir as antigas feiras da cidade, dentre as quais estavam a da Praça Rui Barbosa (mais conhecida como Praça da Estação) e da Praça Rio Branco (praça da rodoviária). Assim, os moradores encontrariam tudo o que procurassem em um mesmo lugar! Como resultado, as feiras passaram a integrar o Mercado Municipal, como era chamado.

O novo centro de vendas foi então colocado em uma região conhecida por abrigar os times de futebol mineiros. Ocupou o espaço onde até 1926 foi o campo do América Futebol Clube; uma área de 14.000 m².

A princípio, era tudo aberto e descoberto, havendo apenas um muro cercando o local. O piso era de chão batido e, quando a chuva caía, ficava tudo de tal forma que as pessoas se molhavam e saíam de lá completamente sujas de barro!

Foto preto e branco mostrando o Mercado Central antigamente
Mercado antigamente: barracas e ruas de chão batido | Foto: APPBH

Os comerciantes colocavam suas mercadorias em barracas de madeira que eram dispostas formando ruas, como anéis, e uma torre central que servia como um ponto de referência.

Era bastante comum ver carroças nos arredores, por ser o principal meio da época de levar os produtos para serem vendidos. Havia até mesmo um “estacionamento”: onde hoje é a Loja do Paulo, não havia nada além de um lote vazio, então era ali que os cavalos ficavam.

Foto em preto e branco do Mercado Central quando ainda existia a torre central e carroças.
Mercado antigamente: aberto, com torre central e carroças estacionadas | Foto: APPBH

O Leilão

No ano de 1964, o então prefeito Jorge Carone decidiu vender o Mercado, alegando que não era possível administrá-lo. Em seguida foi realizado um leilão, com muitos interessados que chegavam de toda parte. Havia empresários de São Paulo, além de uma associação formada por todos os comerciantes que há tantos anos já trabalhavam ali.

Dizem que no domingo do leilão, entre os mais de 600 homens que lá estavam, um japonês chegou. Entretanto, os vendedores já haviam sido advertidos pelo prefeito: “se alguém de fora aparecer, coloquem pra correr!”. Os homens levaram ao pé da letra e o expulsaram do local. Ele foi empurrado para fora e jogado na Avenida Augusto de Lima, se espatifando no chão com seus cheques e tudo mais!

O esforço dos trabalhadores valeu a pena: por fim, o Mercado foi comprado por eles. Contudo, logo foram informados de que ele só poderia continuar suas atividades se construíssem um galpão fechado. Caso contrário, deveriam devolver o terreno. Teriam, para isso, o prazo de cinco anos.

Faltavam apenas duas semanas para que o prazo acabasse. Ainda assim, o espaço permanecia aberto. Então, três irmãos decidiram investir naquele projeto. Osvaldo, Vicente e Milton contrataram quatro construtoras: cada uma deveria fazer uma das laterais. Embora restasse pouco tempo, surpreendentemente, dentro de 15 dias, lá estava o Mercado Central, prontinho como é hoje.

Atualmente, ainda pertence aos trabalhadores e muitas lojas lá dentro existem há décadas, sendo passadas de pai pra filho, por muitas gerações, mantendo viva essa paixão que é percebida em cada olhar.

O Mercado Central Hoje

Com seus 88 anos, o Mercado Central já é parte do dia a dia de muita gente, e destino certo no roteiro de quem vai turistar na cidade. Afinal, dizem que estar na capital e não conhecer o queridinho dos cartões postais é perder uma experiência incrível!

Clientes andando por um dos corredores do Mercado Central de Belo Horizonte/MG.
Os corredores do Mercado Central | Foto: Thiago Kling

Precisamos concordar: nossa passagem por lá foi mágica, dessas coisas que mexem com a gente por inteiro. Certamente, um passeio que envolve todos os nossos sentidos!

Tem barulho de feira livre, com comerciantes anunciando a mercadoria em promoção, o convite à clientela, a prosa com os amigos tão falantes pelos bares. São multicores fazendo brilhar os olhos: as frutas maduras, verduras frescas, e as flores na floricultura da esquina. Os aromas se confundem… Tem cheirinho de café moído na hora, do bom queijinho mineiro, do fumo de corda, das ervas medicinais e daquela cachacinha danada – tudo ao mesmo tempo! Além disso, sempre surgem eventos capazes de nos transportar no tempo; seja um pião rodando no meio do corredor, seja a televisão velha compondo a muamba decorativa de alguma loja.

Por mês, são cerca de um milhão de pessoas! Para atender a tanta gente, existe toda uma estrutura que parece funcionar perfeitamente, assim como as engrenagens de uma máquina. Os motivos para visitá-lo são os mais variados: tomar café da manhã, almoçar, fazer a feira, comer um pedaçao de abacaxi na hora, ou simplesmente ficar perdido! Mas também pudera: ao todo, são mais de 400 lojas, com os produtos mais diversos. Estão dispostas em vários corredores que se tornam verdadeiros labirintos depois de alguns minutos.

Comerciante descascando abacaxi para servir fresquinho aos clientes no Mercado Central de Belo Horizonte/MG.
Praça do Abacaxi | Foto: Thiago Kling

Melhores do Mundo

A Revista Tam Nas Nuvens, em sua edição de Janeiro/2016, listou os dez melhores mercados do mundo, e o Mercado Central ficou em terceiro lugar, atrás somente do Mercat de La Boqueria (Espanha) e do Borough Market (Londres).

O Que é Que o Mercado Tem?

Com produtos da mais alta qualidade, vindos de todas as regiões mineiras, aqui se encontra de tudo! Desde condimentos até produtos exotéricos que prometem trazer qualquer coisa de volta (exceto a porta do Mercado por onde você entrou). É coisa que não acaba mais!

Loja do Mercado Central cheia de produtos pendurados.
Típica loja do Mercado onde se encontra de tudo | Foto: Thiago Kling

Hortifruti

Fazer a feira no Mercado já é hábito de quem mora na região. Com sacolas coloridas ou carrinhos, lá vão eles, em busca de folhagens sempre fresquinhas, regadas várias vezes durante o dia por seus zelosos vendedores.

Vendedor rega vegetais com uma mangueira em uma banca do Mercado Central para conservá-los frescos.
Vegetais sendo regados para permanecerem fresquinhos | Foto: Thiago Kling

Artigos de Decoração e Artesanato

O artesanato é parte importantíssima das tradições e cultura mineiras. Eventualmente, se confunde com a fé. Dessa forma, nos espaços onde há peças a venda, existem oratórios, imagens de santos talhadas em madeira e as famosas igrejinhas das cidades históricas.

Mas também encontramos infinitas outras temáticas, como por exemplo móveis rústicos, luminárias, esculturas de barro do Vale do Jequitinhonha, cestos, mensageiros dos ventos, peças feitas com cabaça, palha de milho, fibra de bananeira, etc.

Móbile de galinha para decorar cozinha pendurado em uma loja do Mercado Central
Móbile de galinha feito de cabaça | Foto: Thiago Kling

Cachaça

Em Minas Gerais, o povo gosta de uma cachacinha. Branca, amarela, com ervas, raízes… seja como for, tem pra todo gosto! Em diversas regiões do estado, conserva-se sua produção artesanal. Existem, inclusive, algumas competições para eleger as melhores.

Algumas não são tão tradicionais, como a exótica receita que contém ouro em sua composição. Outra peculiaridade é a criatividade para suas embalagens, que podem ser um tanto quanto inusitadas!

Cachaças com ouro
Cachaça com flocos de ouro | Foto: Thiago Kling
Embalagens inusitadas de cachaças
Embalagens nada convencionais de cachaça | Foto: Mallê

Doces

Para as “formigas” de plantão, este lugar é uma perdição, só que é difícil escolher. Tem não só aquelas guloseimas típicas da infância como também as mais variadas combinações. O tradicional doce de leite por exemplo, vem puro ou com maracujá, ameixa, e outras frutas. Sem contar os cristalizados, em calda, a goiabada cascão… Hummm! Impossível resistir!

Leia também nossas dicas sobre o que fazer em BH com crianças!

Prateleira com potes de doce de leite.
Doce de leite: da receita tradicional aos combinados com frutas | Foto: Mallê
Compotas e doces em calda | Foto Mallê
Doces Cristalizados
Doces cristalizados: laranja, limão, mamão, figo… | Foto: Thiago Kling

Temperos

Os corredores têm um cheiro único próximo às lojas especializadas em temperos e condimentos. Uma quantidade enorme, com coisas que nunca nem ouvimos falar! Certamente nem saberíamos como usar tantas opções. Mas dá vontade de levar vários pra casa e experimentar em todas as receitas. Provamos o lemon pepper, que é à base de pimenta, ervas finas e limão siciliano. Delicioso!

Temperos e Condimentos
Temperos e Condimentos: grande variedade disponível no Mercado Central | Foto: Mallê

Para quem gosta de pimenta, existem lojas exclusivas do produto (muitas). Você pode comprá-las de diversas formas: em conserva, molho, em pó, in natura, ou geleia. Os frascos são maravilhosos, com diversas cores. Já as geleias podem enganar: o sabor adocicado no início pode se transformar em forte ardor em segundos!

Prateleiras com várias pimentas à venda no Mercado Central de Belo Horizonte/MG
Loja de Pimentas | Foto: Mallê

Queijos, queijos e mais queijos!

Lugar de comprar queijo é, sem dúvidas, no Mercado Central! Uma infinidade deles! Tem o tradicional queijo Minas, e outros tantos bem diferentes. Uma curiosidade é que a forma artesanal de se produzir o queijo em Minas Gerais é registrada como patrimônio cultural imaterial brasileiro, pelo IPHAN, desde maio de 2008.

Diversidade de queijos encontrada no Mercado Central de Belo Horizonte/MG
Diversidade de queijos encontrados no Mercado Central | Foto: Thiago Kling
Diversidade de queijos do Mercado Central em Belo Horizonte/MG
Diversidade de queijos encontrados no Mercado Central | Foto: Thiago Kling
Queijos mineiros premiados internacionalmente
Os melhores queijos do mundo são mineiros, e você encontra no Mercado Central | Foto: Mallê

Enquanto passeávamos pelo Mercado, estivemos na Laticínios Tupiguá, onde fomos muito bem recebidos pela engenheira de alimentos Ana Gabriela, que participa como jurada no Concurso de Queijo Artesanal, e tem em sua loja dois exemplares exclusivos. “São dois queijos meia cura, da cidade de São Roque. Receitas da casa, desenvolvidas por mim.” – conta Ana.

Queijo meia cura com mel e alecrim
Queijo meia cura com mel e alecrim, criação da engenheira de alimentos Ana Gabriela | Foto: Thiago Kling

Os queijos são temperados: um com pimenta e azeite de oliva, e o outro com mel e alecrim. A degustação deles foi considerada atração turística, com direito a citação em matéria no conceituado jornal The New York Times, que listou as melhores coisas para se fazer em 36 horas na capital mineira.

Gastronomia

Enfim, a melhor parte! É provável que a caminhada pelo Mercado Central te dê água na boca! Se aqui estão reunidas as melhores coisas de Minas, certamente a culinária mineira também marca presença! São diversos bares, cafés e restaurantes. Além disso, uma Cozinha Escola onde são ministradas aulas de culinária.

Você pode escolher entre tomar aquele café da manhã com broa de fubá ou pão de queijo, ou almoçar um prato bem servido de tropeiro ou feijoada. Bem como lanches rápidos e petiscos à beira dos balcões.

O prato da casa é o Fígado com Jiló. Esse todo mundo conhece, pede e recomenda! Mas por que logo fígado com jiló? Existem várias versões da história de como o prato ficou famoso. De acordo com alguns vendedores mais antigos, no início do Mercado não haviam restaurantes por perto; assim, aqueles que tinham açougue, vendiam a carne e levavam os miúdos para preparar lá mesmo e comer. Além disso, o jiló acompanhava por ser um dos itens mais baratos à venda nas bancas de verdura. Então, esse que anteriormente era o almoço dos feirantes, teria passado a ser comercializado, e hoje é quase um “patrimônio”, vendido há mais de 50 anos! Nós também experimentamos, e achamos a porção muito bem servida e, com toda certeza, deliciosa!

Porção de fígado com jiló no Mercado Central
Fígado com jiló: famosa atração gastronômica do Mercado Central | Foto: Thiago Kling

App do Mercado Central

Essa ideia maravilhosa foi criada com a finalidade de melhorar a experiência dentro do Mercado. Permite que a gente se perca menos lá dentro (afinal, não se perder é impossível!).

Gif demonsdo aplicativo do Mercado Central demonstrando funcionamento.
Demonstrativo do aplicativo do Mercado Central | Foto: Camila Malloy

O aplicativo possui um campo para pesquisar o produto pelo qual você procura; por exemplo, se você precisa de pimenta, basta digitar a palavra no local indicado e clicar na lupinha. Todas as lojas onde você encontra o que deseja se abrem na tela e você escolhe; e o app ainda te mostra um mapa para encontrar o lugar.

O download é gratuito e a ferramenta está disponível para aparelhos Android e IOS.

Vem Pro Mercado!

Mais do que um ponto de encontro, de comércio ou turístico, esse lugar é como uma grande família! Existe um clima fraterno, de amizade e de respeito.

Portanto, quando visitar Belo Horizonte, reserve algumas horinhas para viver o Mercado Central, afinal, vale muito a pena!

Adesivo colado em uma vitrine de queijos com a hashtag #vempromercado
Vem Pro Mercado | Foto: Mallê

Endereço:
Avenida Augusto de Lima, nº 744, Centro, Belo Horizonte/MG

Horário de Funcionamento:
Segunda a Sábado, de 7 às 18h
Domingos e Feriados. de 7 às 13h

Aqui Tem:
– Caixa Eletrônico 24 horas
– Estacionamento (de 7 às 20h, pago, aceita cartão de débito)
– Visita Guiada Gratuita (para grupos de 20 pessoas)
– WiFi

Dicas Importantes:
– Para fazer vídeos dentro do Mercado Central, é preciso que você tenha uma autorização. Envie solicitação por e-mail antes, e vá à administração para acertar tudo. Assim, os seguranças são informados e você não será barrado.
– Segundo políticas internas, é terminantemente proibido fazer qualquer tipo de imagem nos corredores dos bichos.

Site Oficial

Gostou das dicas?
Salve a imagem abaixo no seu Pinterest pra não perder!

 

Mineira do Vale do Jequitinhonha, é apaixonada por tradições populares. De alma nômade e pés inquietos, sonha poder conhecer o mundo todo e suas diversas manifestações culturais.

post a comment