Top
Graffite nos muros do Bairro Santo Antônio de Belo Horizonte.

Todo mundo tem aquele lugar que sempre sonhou conhecer. Já pensou se o destino dos seus sonhos simplesmente deixasse de existir? É difícil acreditar que isso possa acontecer, mas é possível, e estamos caminhando nessa direção bem rápido! Como prova disso, trouxemos algumas fotos de viagem que ninguém mostra, muito embora devesse!

Cada vez mais pessoas estão realizando o sonho de viajar. Isso porque tem se tornado claro que é muito mais uma questão de planejamento, e não de uma conta bancária gorda. No entanto, o aumento de público em lugares turísticos vai além do glamour que as redes sociais se encarregam de mostrar. O alto fluxo de pessoas aliado à falta de consciência vem causando prejuízos irreversíveis!

Nesse post da Mari Dutra, do Quase Nômades, ela fala sobre a relação entre viagem e lixo, sobre o impacto que a gente causa. O simples fato de viajar de avião emite uma quantidade absurda de carbono!

Precisamos nos preocupar enquanto ainda existe a possibilidade de fazer alguma coisa. E é por isso que decidimos mostrar algumas fotos que fizemos em viagens, como um pedido, um alerta.

Fotos de viagem que ninguém mostra

Na hora de selecionar quais imagens vamos publicar em nossas redes sociais, é natural que as escolhidas sejam aquelas com paisagens bonitas, onde estamos sorridentes. Composição e luz ideais, ponto turístico cobiçado… Perfeito!

Porém, nós entendemos que o nosso papel vai além disso. No momento em que decidimos produzir conteúdo escrevendo para outras pessoas, nos tornamos responsáveis pela informação que transmitimos. E não nos compete apenas mostrar as belezas, de modo a favorecer o turismo. É nosso dever mostrar o caminho inverso, isto é, como o turismo vem se tornando um vilão, quando feito de forma predatória.

Esse post não tem a intenção de diminuir os lugares mostrados, mas de aumentar o coro em favor da conscientização e preservação do meio ambiente.

Lagoa da Pampulha, Belo Horizonte

A região da Pampulha é uma das atrações turísticas mais famosas da cidade de Belo Horizonte. Seu conjunto arquitetônico recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco, em 2016.

Banner da Pampulha, que se tornou patrimônio pela Unesco em 2016.
Conjunto Moderno Pampulha: Patrimônio Cultural da Humanidade | Foto: Mallê

As construções estão ao redor da Lagoa da Pampulha, onde estivemos em dezembro de 2017. Foi nosso último passeio na capital mineira antes de ir para outro destino.

Prédios lindos, museus cheios de história, o gigantesco Mineirão… Entretanto, uma das coisas que nos marcou não estava em nenhum folheto de viagem. Ninguém nos falou a respeito.

Depois de passar pela Igrejinha de São Francisco de Assis, começamos a contornar a lagoa para chegar à Casa de JK. É impossível não perceber o forte odor que vem da água! Um cheiro ruim que nos acompanhou por quase todo o dia que passamos lá.

Fizemos sim, fotos lindas e aprendemos muito. Contudo, não poderíamos ser indiferentes: a gente deixa aqui algumas fotos de viagem que ninguém mostra, registradas na Pampulha.

Fotos de viagem que ninguém mostra, Pampulha, Belo Horizonte
Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte | Foto: Mallê

Apesar de existirem alguns outdoors espalhados pela orla, informando que a lagoa está passando por um processo de despoluição (com uma cifra gigantesca do valor da obra), ainda existe muito entulho. Muita gente joga lixo nas ruas, calçadas e jardins. Inevitavelmente, tudo vai parar dentro da água, ou pelo vento, ou pelas chuvas.

O título de Patrimônio Cultural da Humanidade certamente trará mais visibilidade. Por consequência, chegarão mais turistas. E nós viajantes temos que fazer a nossa parte. Não custa nada jogar seu lixo na lixeira, ou carregar na bolsa até chegar a um lugar adequado para descartá-lo. Os cofres públicos agradecem, e a natureza que depende disso para viver, mais ainda!

Tartaruga sobre uma pedra, fugindo da água poluída da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte/MG.
Tartaruguinha sobre pedra fugindo da poluição na Pampulha | Foto: Mallê
Patinho selvagem nadando em meio ao lixo da Lagoa da Pampulha
Pato selvagem nadando entre o lixo nas águas da Lagoa da Pampulha | Foto: Mallê

Parque Natural, Petrópolis

Bem no centro de Petrópolis, está o Parque Natural Municipal. Não é muito grande, ainda assim, é lindo! Em nossa última visita, no início da primavera de 2018, apreciamos as flores colorindo o espaço; a trilha entre os bambus que ameniza o calor; muitas famílias pelos gramados e banquinhos.

Mesmo estando no coração da cidade, o parque abriga muitos animais. O lugar possui segurança na portaria e é bem cuidado. Por outro lado, alguns detalhes passam despercebidos, como por exemplo o fato de ter lixeiras destampadas, ao alcance dos saguis.

Sagui revirando o lixo no Parque Natural Municipal de Petrópolis.
Sagui revira lixeira destampada no Parque Natural de Petrópolis | Foto: Mallê

Mesmo que a gente considere uma oportunidade única ver animais livres em nossas viagens, sabemos que essa proximidade com humanos não é boa para os bichinhos. Sem maldade alguma, eles acabam entendendo que ali é uma fonte fácil de alimentos. Só que não são apropriados para o consumo deles.

As crianças ficam encantadas com os macaquinhos, e inocentemente oferecem biscoitos, doces, e o que mais tiverem à mão na hora, pra se aproximarem dos macaquinhos do parque. Sentimos falta de orientações nesse sentido.

Sagui comendo bolacha recheada.
Sagui comendo bolacha recheada que recebeu das mãos de uma criança | Foto: Mallê

Além do efeito nocivo desses alimentos no organismo dos animais, existe o perigo das embalagens, já que podem sufocá-los.

Sagui com cabeça dentro de um pote de iogurte
Sagui com cabeça dentro de um pote de iogurte descartado no Parque | Foto: Mallê

Consciência Viajante

Poder conhecer vários lugares do mundo é o sonho de muita gente, inclusive nosso! Mas, para dar a volta ao mundo, precisamos ter um mundo (parece óbvio, né?!)! Infelizmente, acho que a humanidade não tem levado os sinais de alerta a sério, como deveria.

Segundo a WWF, os especialistas estimam que a perda de espécies hoje está entre 1.000 e 10.000 vezes acima da taxa de extinção natural (ou seja, que se perderiam sem interferência do homem).

A estimativa é de que existam no mundo cerca de 100 milhões de espécies. Logo, se perdemos entre 0,01 a 0,1% de espécies (animais e vegetais) por ano, isso é o equivalente a mais de 270 espécies por dia, desaparecendo completamente do planeta!!!

A gente finaliza com um vídeo que gostaríamos muito que você, viajante, assistisse. São só 10 minutinhos do seu tempo, e trata do surgimento de um novo continente, que ninguém deseja carimbar no passaporte!

A gente aguarda seu comentário aqui, pois é um assunto que merece ser discutido! O que você faz para amenizar o impacto da sua passagem nos destinos por onde viaja?

https://www.youtube.com/watch?v=ig39btuTpfU

Mineira do Vale do Jequitinhonha, é apaixonada por tradições populares. De alma nômade e pés inquietos, sonha poder conhecer o mundo todo e suas diversas manifestações culturais.