Centro Histórico de Petrópolis: tour na Cidade Imperial

Petrópolis, Cidade Imperial

Esse destino da região serrana do estado do Rio de Janeiro é conhecido como “Cidade Imperial”, posto que abrigou a família real portuguesa. Aliás, muita coisa da época do Brasil Colônia ainda está preservada, como o Centro Histórico de Petrópolis. Suas construções são de uma arquitetura inegavelmente estonteante, que remonta o cenário da época.

A Avenida Koeler, por exemplo, parece um grande museu a céu aberto. As tantas casas por lá são de cair o queixo! Não apenas as fachadas ricas em detalhes, como também seus jardins enormes, com fontes e estátuas. Em resumo: é tudo muito lindo! Ao caminhar por esta avenida, é como se fôssemos transportados para outros tempos.

Centro Histórico de Petrópolis e suas casas do período Brasil Colônia.
Detalhes da arquitetura pelas ruas de Petrópolis | Foto: Thiago Kling
Construção do centro histórico de Petrópolis
Construção da Avenida Koeler, onde hoje funciona uma pousada | Foto: Mallê

Muitos destes casarões anteriormente foram moradia de pessoas importantes: Barão de Mauá, Princesa Isabel, Ruy Barbosa, dentre tantos outros. Assim, existem placas na porta de cada um, informando quem viveu ali.

Centro Histórico de Petrópolis

Se acaso você está planejando conhecer a cidade, um tour pelo Centro Histórico de Petrópolis é, sem dúvida, uma boa pedida! Ideal ou para um “bate e volta” saindo da cidade do Rio, já que é bem pertinho (cerca de 60 km), ou para quem ficará por pouco tempo e não poderá explorar mais.

Se tiver alguns dias disponíveis pra passar mais tempo em Petrópolis, confira mais dicas sobre a cidade!

Fizemos todo o passeio pelo Centro Histórico de Petrópolis andando, afinal, as distâncias entre as atrações principais são relativamente tranquilas.

Embora Petrópolis seja conhecida por ser uma cidade fria, os dias de verão são bem quentes. Além disso, pode chover a qualquer hora. Pois é, clima louco! Vimos as quatro estações em um mesmo dia (com direito a granizo e tudo). Esses fatores podem dificultar um passeio a pé, principalmente com crianças menores e pessoas de mais idade. Nesse sentido, você pode cogitar alugar um carro na cidade.

Sem mais delongas, vamos ao tour pelo Centro Histórico de Petrópolis?!

Por questões de logística, definimos que o nosso passeio começaria pelo Palácio de Cristal e terminaria no Museu Imperial. Facilitaria tudo graças ao lugar de onde sairíamos (Bairro Mosela). Organizamos a sequência das atrações de tal forma que ficasse fácil segui-las.

Palácio de Cristal

Pra gente, quanto mais cedo começar o dia, melhor! Mas, como nossa primeira parada no Centro Histórico de Petrópolis era o Palácio de Cristal, e ele só abre às 9 horas da manhã, tivemos que esperar um pouquinho. Assim sendo, dá tempo de tomar café com bastante calma.

Enfim, conhecemos a famosa construção que foi encomendada pelo Conde D’Eu, para presentear a Princesa Isabel, que fez dele seu orquidário. Em 1888, quando os últimos escravizados da cidade de Petrópolis foram libertados, aconteceu uma grande festa no Palácio de Cristal, contando inclusive com a presença da Princesa.

Palácio de Cristal é atração no Centro Histórico de Petrópolis
Palácio de Cristal em Petrópolis | Foto: Mallê

Ao redor da construção de ferro e vidro, existe um jardim, bem simples. Entretanto, dentro dele, já não existem mais orquídeas, exceto em eventos e exposições temporárias. Por isso, vale a pena conferir o calendário festivo da cidade, uma vez que boa parte das programações têm o Palácio de Cristal como palco (incluindo a Bauernfest, segunda maior festa do colono alemão do Brasil).

Palácio de Cristal
Endereço: Rua Alfredo Pachá, s/nº, Centro
Entrada: grátis.
Tempo de visita: nossa visita durou cerca de 30 minutos.

Casa Santos Dumont

Casa de Santos Dumont: o museu é uma das atrações do Centro Histórico de Petrópolis
Casa de Santos Dumont, também conhecida como “A Encantada” | Foto: Thiago Kling

Em segundo lugar, visitamos a Casa de Santos Dumont. Do Palácio de Cristal até lá são cerca de 10 a 15 minutos de caminhada, com direito a uma pequena pausa no meio do trajeto para fotografar uma réplica do 14-Bis. O monumento fica próximo à Praça da Liberdade.

“Conhecido por ser o primeiro avião a realizar um voo motorizado em público, o 14-Bis tornou-se um dos aviões mais famosos do mundo! Em 1906, o aviador brasileiro Alberto Santos Dumont fez uma exibição pública em Paris, onde voou 60 metro com o avião, ganhando a Taça Archdeacon. O 14-Bis era inicialmente um aeroplano unido ao Balão 14, já utilizado por Santos Dumont em meados de 1905. Por causa do reaproveitamento do Balão (que tinha a função de tornar o avião mais leve) foi dado o nome de 14-Bis, ou seja, “14 de novo”. Contudo, o aviador decidiu retirar o Balão e instalar um motor mais potente. Assim, o 14-Bis também ficou conhecido como Oiseau de Proie (Ave de Rapina em francês).  

Para acessar A Encantada (como ficou conhecida a casa de veraneio de Santos Dumont em Petrópolis), é preciso subir por uma escada muito interessante.

Degraus da escada da casa de Santos Dumont em Petrópolis
Escada Santos Dumont, com degraus de formato único | Foto: Mallê

Como o espaço era pequeno, os degraus ficariam muito estreitos, o que poderia causar quedas ou aquela topada com a canela! Mas ele encontrou uma inteligente solução. Com um formato diferente, cada um dos degraus tem um recorte. Isso faz com que você tenha que subir com o pé certo: começando sempre com o direito! Coincidência ou superstição?

Alguns acreditam que seja só por praticidade mesmo… O primeiro degrau está do lado do corrimão. Tanto é que no interior da casa existe uma escada no mesmo estilo, mas que começa com o pé esquerdo!

Na arquitetura, o modelo foi batizado com o nome dele.

Escada Santos Dumont
Escada Santos Dumont | Foto: Thiago Kling

 Pequenininha e muito charmosa, mais parece uma casinha de bonecas, afinal de contas, o pai da aviação nem era assim tão alto. A saber, ele tinha por volta de 1,52 m! Até os móveis eram adaptados à sua baixa estatura.

Gilberto próximo à mesinha de Santos Dumont, feita para a estatura dele.
Gilberto ao lado dos móveis pequenininhos de Santos Dumont | Foto: Mallê

Uma curiosidade é que a casa não tinha cozinha. Do outro lado da rua, havia um hotel (onde hoje funciona uma universidade). Santos Dumont ligava para lá, e um funcionário levava as refeições até sua casa.

Casa de Santos Dumont não tinha cozinha.
Em frente à casa Santos Dumont ficava o hotel onde ele pedia as refeições | Foto: Mallê

Aos fundos, existe uma sala onde você pode ver miniaturas de seus aviões, da casa, e assistir à exibição de um vídeo curtinho que resume a vida do inventor. Há também uma lojinha de lembranças. Nós escolhemos uma miniatura do 14-Bis feita em peças de MDF, para montar.

Casa Santos Dumont
Endereço: Rua do Encanto, nº 22, Centro
Entrada: R$8,00 (inteira) | R$4,00 (meia) | Grátis: Crianças abaixo de 7 anos e pessoa acima de 65 anos.
Tempo de Visita: nossa visita durou cerca de 1 hora.

Palácio Rio Negro

O Palácio Rio Negro foi nossa terceira parada no tour pelo Centro Histórico de Petrópolis. São cerca de 10 minutos de caminhada da Casa Santos Dumont até lá, atravessando a Praça da Liberdade.

Plácio Rio Negro, atração turística do Centro Histórico de Petrópolis
Palácio Rio Negro | Foto: Mallê

O Palácio foi construído por Manoel Gomes de Carvalho, o Barão do Rio Negro. O objetivo é que o lugar fosse sua residência de verão. Em 1896, foi comprado para ser residência oficial dos governantes do estado do Rio de Janeiro, quando Petrópolis foi sua capital.

Mais tarde, passou a pertencer ao governo federal, como residência dos presidentes. Mas passou a ser menos frequentado quando a capital do Brasil passou a ser Brasília.

Palácio Rio Negro
Endereço: Avenida Koeler, 255, Centro
Entrada: Grátis
Tempo de Visita: nossa visita durou cerca de 1 hora.

Museu da FEB

O Museu da Força Expedicionária Brasileira é bem pequeno, e fica um pouco escondido, atrás do Palácio Rio Negro. É um cantinho que certamente deve ser visitado.

O lugar preserva a memória dos petropolitanos que foram Pracinhas na Itália, na 2ª Guerra Mundial.

Pertences dos Pracinhas no Museu da FEB
Alguns pertences dos Pracinhas | Foto: Mallê

O museu conta com três salas, onde estão expostos itens doados pelos veteranos, amigos e familiares. São quase 700 peças compondo o acervo, dentre elas, estão documentos, roupas, e até objetos que eram das tropas inimigas.

Vestimentas dos pracinhas, no museu da FEB
Vestimentas expostas no Museu da FEB | Foto: Mallê
Capacetes no Museu da Feb em Petrópolis
Capacetes de aço, das tropas alemãs | Foto: Mallê

Uma parede inteira é dedicada às fotos dos pracinhas falecidos. E na primeira sala, um pequeno quadro mostra os veteranos que ainda estão vivos até hoje.

Parede de fotos dos pracinhas petropolitanos que já faleceram
Parede de fotos dos Pracinhas petropolitanos já falecidos | Foto: Mallê
Veteranos da 2ª Guerra ainda vivos
Veteranos de guerra que ainda estão vivos | Foto: Mallê

Os responsáveis pelo Museu da Força Expedicionária Brasileira nos informaram durante a visita que as novas gerações não têm se interessado em atuar na preservação do lugar, que corre risco de deixar de existir por esse motivo. Além é claro do pouco investimento do governo para preservar esta memória.

Museu da Força Expedicionária Brasileira
Endereço: Avenida Koeler, 255, Centro (atrás do Palácio Rio Negro)
Entrada: Grátis
Tempo de Visita: nossa visita durou cerca de 30 minutos.

Catedral São Pedro de Alcântara

O principal cartão postal de Petrópolis fica a menos de 10 minutos de caminhada do Palácio Rio Negro, e pode ser avistado de longe.

Catedral São Pedro de Alcântara em Petrópolis
Catedral de São Pedro de Alcântara | Foto: Mallê

Seu imponente estilo arquitetônico prende o olhar a qualquer hora do dia. Seja sob um céu azul sem nuvens, seja sob a insistente neblina da Serra. À noite, ganha uma charmosa iluminação, que a destaca na escuridão do Centro.

Para acessar seu interior, passamos pelas enormes portas de madeira que pesam mais de 2 toneladas cada uma! E a Catedral de São Pedro de Alcântara se mostra ainda mais deslumbrante.

Interior da Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis
Interior da Catedral | Foto: Mallê

O grande destaque aqui é o mausoléu da Família Imperial, onde estão os restos mortais de Dom Pedro II, Dona Tereza Cristina, Princesa Isabel e Conde D’Eu. Ele foi inaugurado por Getúlio Vargas em 1939. Sobre as lápides estão esculturas em tamanho real.

Mausoléu da Família Imperial, no interior da Catedral | Foto: Mallê
Esculturas em tamanho real sobre os túmulos da família imperial em Petrópolis.
Esculturas em tamanho real da Família Imperial, sobre os túmulos | Foto: Mallê

No altar estão as relíquias de três santos, mártires da igreja católica (São Magno, Santa Aurélia e Santa Tecla).

Catedral São Pedro de Alcântara
Endereço: Rua São Pedro de Alcântara, 60, Centro
Entrada: Grátis
Tempo de Visita: nossa visita durou cerca de 30 minutos.

Museu Imperial

Para encerrar com chave de ouro o tour pelo Centro Histórico de Petrópolis, uma visita ao Museu Imperial, um de seus mais importantes pontos turísticos.

Museu Imperial: um dos principais pontos turísticos do Centro Histórico de Petrópolis
Museu Imperial, Centro Histórico de Petrópolis | Foto: Thiago Kling

O prédio que hoje abriga o museu foi residência imperial. Dom Pedro I comprou uma fazenda, e em seguida voltou a Portugal, graças às crises políticas daquele momento. Ele faleceu em sua terra natal, sem voltar ao Brasil. Logo, Pedro II herdou a propriedade, e construiu a residência, com a Imperatriz Leopoldina.

Estátua de Dom Pedro II no jardim do Museu Imperial
Estátua de Dom Pedro II, no jardim do Museu Imperial | Foto: Thiago Kling

Ao entrar no casarão, é preciso calçar pantufas, entregues pelos seguranças aos visitantes. Podem ser calçadas por cima do sapato mesmo. E para andar com elas é preciso paciência: sempre arrastando os pés! Tudo isso para preservar o piso, já que são muitas pessoas passando por lá. Em 2014, foram 339.374 visitantes, recorde do Museu.

Logo nas primeiras salas, nossa reação foi um sonoro “Uaaauu”! Nunca tínhamos visto tanto luxo em um só lugar! Pra gente que está acostumado com um estilo de vida bem minimalista, é até difícil imaginar que alguém realmente precisava de tantos cômodos e objetos cheios de requinte.

As peças que mais nos chamaram a atenção foram os móveis da Princesa Isabel (feitos bem baixinhos pois ela tinha pouca estatura); a pena de ouro usada para assinar a Lei Áurea, e os berços.

São mais de 300 mil itens catalogados, dentre os quais estão livros, documentos, arquivos, quadros, móveis e objetos pessoais da família imperial.

Quadro em exposição no galpão em anexo do Museu Imperial.
Quadro exposto no galpão das carruagens, pertencia à Família Imperial | Foto: Mallê

Nos fundos da casa, um grande galpão com as carruagens, principal meio de transporte da época. Algumas eram puxadas por cavalos. Já outras eram carregadas nos ombros de homens escravizados.

Carruagens da família imperial
Carruagens da família imperial | Foto: Thiago Kling
Carruagem no Museu Imperial de Petrópolis
Uma das carruagens mais bonitas do Museu Imperial | Foto: Mallê

Esse galpão, a parte externa do Museu Imperial e seus jardins são as únicas áreas que podem ser fotografadas.

Museu Imperial
Endereço: Rua da Imperatriz, nº 200, Centro
Entrada: R$10,00 (inteira) | R$5,00 (meia)
Tempo de Visita: nossa visita durou cerca de 2 horas.

Existem pacotes de desconto para visita em família, e gratuidade para casos específicos. Confira aqui.

Petrópolis tem muita coisa para conhecer, e atrações para todos os gostos. Dedicar um dia para as principais atrações do Centro Histórico é uma opção. Custo baixo, passeio agradável, e de muito aprendizado.

Já conhece a cidade?